Projetos
implantados em países da América Latina com foco nas geotecnologias e
no desenvolvimento sustentável do bioma pantaneiro foram temas de
palestras do 4° Simpósio de Geotecnologias no Pantanal - 4º GeoPantanal.
O evento realizado em Bonito (MS), de 20 a 24 de outubro, contou com
200 participantes do Brasil e exterior.
A importância do Pantanal boliviano foi o destaque na
apresentação do pesquisador Rodolfo Ayala Sanchez, da Universidad Mayor
de San Andrés, na Bolívia. Ele ressaltou que o bioma tem interesse
tanto local quanto mundial, por isso, é preciso integrar as várias
iniciativas dos estudiosos brasileiros, paraguaios e bolivianos a
respeito da vulnerabilidade ambiental na região.
Técnicas com geofísica aplicada como georadar e
tomografias geoelétricas permitem análises tridimensionais que
contribuem para melhor avaliação dos riscos presentes. Entre eles estão
ameaças naturais, socionaturais e as antrópicas, que se relacionam
principalmente ao modelo de desenvolvimento adotado, como hidrovias,
rodovias e atividades de mineração.
O mapeamento dos biomas brasileiros com uso de
imagens de satélite de alta resolução é uma das estratégias do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF) Edson Sano, que está
atuando no Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, falou sobre as
novas tecnologias geoespaciais que estão sendo avaliadas pelo órgão para
melhorar o monitoramento.
O planejamento e a gestão ambiental territorial
visando à sustentabilidade fazem parte da política do zoneamento
ecológico-econômico, que busca preservar a biodiversidade brasileira.
Para Felipe Lima Ramos Barbosa, do Ministério do Meio Ambiente (MMA),
além de contribuir para organizar a estrutura de informações do
ministério, as ferramentas de geotecnologias permitem a geração de
produtos e a disseminação do conhecimento.
A construção de satélites para coleta e distribuição
de dados foi tema de exposição da pesquisadora Sandra Torrusio, da
Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Conae), da Argentina. A
palestrante demonstrou o projeto SAC-D/Aquarius que compõe o Plano
Espacial Nacional da Argentina, desenvolvido pela Conae.
As aplicações abrangem o monitoramento de áreas
úmidas, inundações, qualidade da água e pragas agrícolas. O Plano também
possui um programa educativo chamado 2 Mp (Programa “2 Millones de
Pibes”), que visa disseminar o uso de imagens de satélites na escolas
para auxiliar o processo de aprendizado em variadas disciplinas.
A criação do Centro Geoespacial para a Biodiversidade
da Bolívia foi abordada pelo professor Humberto L. Perotto-Baldivieso,
da Universidade Cranfield (Reino Unido). Ele falou sobre a necessidade
de organizar informações geoespaciais sobre a biodiversidade boliviana
para desenvolver programas de conservação mais eficazes.
“Em 2003, não havia nenhuma publicação na internet
sobre dados geoespaciais do país. Hoje, são mais de 67 bases de dados;
nosso site recebe mais de 3 mil visitas por mês e, o mais importante, é
gratuito”, afirmou Perotto-Baldivieso. O objetivo do centro é
disponibilizar aos tomadores de decisões, pesquisadores e público em
geral ferramentas que apoiem a preservação ambiental.
O superintendente de Ciência e Tecnologia de Mato
Grosso do Sul, Felipe Augusto Dias, apresentou o programa Biota-MS e as
metas de desenvolvimento territorial do Estado. Dentre as prioridades, o
projeto Bioeconomia, caracterizado como um novo paradigma de
desenvolvimento para o Mato Grosso do Sul. “Entendemos que o programa
vai aumentar a capacitação de recursos para um desenvolvimento aliado
com medidas empreendedoras e sociais”, destacou Dias.
O 4º GeoPantanal foi organizado pela Embrapa
Informática Agropecuária, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e pela Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).