Mato Grosso do Sul registrou nas últimas
dez safras um ganho médio de 9% na produtividade da soja com a
inoculação anual das bactérias fixadoras de nitrogênio nas sementes. O
cálculo é do pesquisador Fábio Martins Mercante, da Embrapa Agropecuária
Oeste, em Dourados.
Neste período de início de plantio da
safra de verão, em que aproximadamente 2% da área que será cultivada no
estado, entre 2 milhões e 2,1 milhões de hectares, já foram semeados, de
acordo com estimativa da Federação de Agricultura e Pecuária (Famasul),
a inoculação, conforme o pesquisador é essencial para a viabilidade
econômica da lavoura.
A fixação biológica de nitrogênio,
chamada de FBN, conforme Mercante, deve ser realizada preferencialmente
no dia da semeadura. Através desse processo alguns grupos de bactérias,
coletivamente chamadas de “rizóbios”, captam o nitrogênio do ar e, após
sua redução em formas assimiláveis, é disponibilizado para a planta.
Mercante, explica que a soja é uma
cultura que demanda grande quantidade de nitrogênio e, ao substituir o
uso de adubos nitrogenados, a fixação biológica de nitrogênio influencia
positivamente a qualidade do solo por evitar diversos problemas
relacionados à poluição causada por estes adubos.
Ele diz que além disso, o processo
industrial que transforma o nitrogênio atmosférico em amônia demanda por
volta de seis barris de petróleo por tonelada de nitrogênio produzido,
implicando em grandes quantidades de gás carbônico liberadas para
atmosfera no momento da produção do adubo nitrogenado.
Dessa forma, o pesquisador comenta que a
inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio é uma tecnologia de
custo baixo e que melhora a qualidade do ambiente, reduzindo a emissão
dos gases de efeito estufa.
“Considerando a baixa eficiência de
utilização dos adubos nitrogenados pelas plantas seria necessário cerca
de 1 tonelada de ureia para se obter uma produtividade de 3 mil quilos
por hectare de grãos, e isso inviabilizaria economicamente o cultivo de
soja no Brasil. A FBN também tem a vantagem de aumentar os rendimentos
da cultura. No Brasil, as pesquisas mostram que a média de ganhos é de
8% e em Mato Grosso do Sul, nas últimas dez safras de soja, a média de
ganhos obtida chega a 9%”, afirma o pesquisador.
O pesquisador lembra ainda que a FBN é
uma das seis tecnologias do Programa Agricultura de Baixo Carbono,
criado pelo governo federal em 2010, que fornece linha de crédito para
produtores que adotam técnicas agrícolas sustentáveis.
Ele reforça ainda a importância de se
associar essa tecnologia a outras práticas, como o manejo no Sistema
Plantio Direto (SPD), que propicia as condições para manutenção de
níveis de umidade maior do solo e favorece a sobrevivência das bactérias
fixadoras de nitrogênio no solo.
“Manejos mais conservacionistas, como o
Sistema Plantio Direto e a Integração-Lavoura-Pecuária, têm garantido
rendimentos muito maiores quando comparados com sistema convencional que
envolve aração e gradagem.
O sistema convencional afeta a sobrevivência
da bactéria, porque a temperatura do solo ultrapassa facilmente 40ºC;
as plantas produzem nodulação mais baixa nestas condições e o rendimento
da cultura é menor ao longo do tempo. Já os manejos conservacionistas
favorecem o aumento da fixação biológica de nitrogênio, a sobrevivência
da bactéria, o aumento na nodulação das plantas e no número de células
viáveis no solo e, consequentemente, a elevação do rendimento da
cultura. Cada vez mais, é necessário realizar o manejo de práticas mais
conservacionistas para obter a sustentabilidade desejada”, ressalta
Mercante.