Após
quase duas horas de reunião com a ministra do Meio Ambiente, Izabella
Teixeira, a presidenta da Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil (CNA), Kátia Abreu, disse que os produtores vão esperar mais uma
semana por alterações no decreto publicado na semana passada pelo
governo federal que preencheu lacunas deixadas na Lei do Código
Florestal.
Desde que foi publicado, o decreto motivou ameaças
por representantes de alguns setores da agricultura, que prometeram
ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com Ação Direta de
Inconstitucionalidade (Adin) para questionar a medida. Do lado dos
produtores, a principal crítica recai sobre os trechos tratando do
Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental
(PRA).
Em reuniões com a ministra Izabella Teixeira e o
advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, entre outros representantes
do governo federal, Kátia Abreu disse que o Poder Executivo indicou
intenção de não complicar o texto e de publicar nos próximos dias
alteração dos itens do decreto que são criticados pelos produtores.
“O texto não ficou bem normatizado. Seria uma
formatação cartorial, na qual o Incra teria que participar do
georreferenciamento e isso seria um caos para o país”, disse Kátia
Abreu. “O decreto dificulta a vida dos produtores e seria
inconstitucional, porque coloca mais obrigações ao produtor do que as
que estão previstas na lei. Vamos esperar mais uma semana para ver a
alteração que deverá ser feita”.
A presidenta da CNA disse que a conversa com Izabella
Teixeira também tranquilizou os produtores rurais sobre as futuras
regulamentações que serão feitas para viabilizar o Código Florestal. O
temor dos grandes agricultores e pecuaristas é que essas normas não
venham a ser elaboradas pelo Ministério do Meio Ambiente ou pela própria
Presidência da República.
“Uma das nossas preocupações é que isso [as futuras
regulamentações] fugisse à alçada do Executivo e pudesse ser deslocado
para um Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente]. Tivemos a garantia
de que seria feito pelo Executivo, ouvidos todos os setores”, disse ela.
Kátia Abreu disse que a CNA vai buscar um “diálogo
ameno” com ambientalistas e movimentos sociais, mas não deixará de
priorizar alguns pontos de interesse dos produtores rurais. Uma das
bandeiras defendidas pelos ruralistas é a de ampliar a área produtiva
irrigada no país. “Se precisamos e queremos aumentar a produção e
produtividade sem desmatar árvores, vamos precisar irrigar boa parte do
país. Temos um potencial de 30 milhões de hectares e irrigamos só 5
milhões de hectares”.
Outro ponto que deve retomar o clima de disputas
entre ambientalistas e ruralistas nas negociações sobre a regulamentação
da lei é o fim da produção nas áreas de Preservação Permanente (APP). O
decreto prevê um deslocamento escalonado, mas o questionamento do setor
é se o prazo é suficiente para que os pequenos produtores consigam se
adequar economicamente às novas regras.
“Os grandes produtores e os pequenos de renda alta já
liquidaram o assunto e organizaram as suas APPs e reservas legais para
não perder seus contratos.
A nossa preocupação é a grande classe média
rural brasileira, que está bastante empobrecida, e os pequenos de baixa
renda, que terão dificuldade maior de se adequar repentinamente à lei,
saindo das margens de rios, que são as áreas mais férteis em qualquer
lugar do mundo”, afirmou.
